domingo, julho 10, 2016

simultâneos


1. beatriz

diante dos últimos acontecimentos, a dúvida que permanecia na cabeça de beatriz era: "do que preciso?" Sentou-se de novo naquele boteco velho que tem frequentado nos últimos trezentos e vinte e cinco meses de sua vida. Fumou um charuto cubano. Foi paquerada por velhos. O garçom não foi com a cara dela. Falou sozinha: "Eu prezo pela sinceridade, mas sou apaixonada por mentiras. É que o amor é cego e eu uma babaca." Deu-se conta que o pensamento extrapolou pela boca. Riu. Acenou aos outros."Eu sou um clichê" - completou.


2. ricardo

no bar,  ricardo esperava os amigos. era época de luto: mais um relacionamento amoroso se findava. deu o azar de chegar primeiro, logo ele, o dono da perda. O garçom não foi com a cara de ricardo. Caíram folhas dentro do copo de cerveja. Ricardo olhava estranhamente para a moça ao lado: "Sempre tem alguém pior que a gente", pensou.


3. josé carlos

o velho na mesa do lado de fora do bar se chamava José Carlos. Este já não esperava por ninguém. O garçom foi com a cara dele. Zé bebeu dezesseis cervejas. Olhava bêbado para as mulheres tentando decifra-las. O objetivo era saber o nome de cada uma. Mirava numa, lhe dizia o nome que lhe caberia. Mirava noutra, lhe dizia a comida preferida. "Maria Clara, macarronada". "Fernanda, mel com gengibre". "Beatriz, risoto de beterraba com queijo de cabra."

4. garçom

"sempre tem alguém pior que a gente" -

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