sexta-feira, dezembro 04, 2015

complexos

Marília me disse uma vez que eu gosto de pesar a vida; claro não com essas palavras, talvez goste de pesar os textos também. ela disse exatamente: "Bárbara, você complica as coisas porque acha que assim elas ficam mais bonitas" - "coisa", no caso, as relações.
Marilia tem toda razão, complico as coisas porque a simplicidade, essa sim, é impossível. Para ser simples, é preciso buscar a intimidade no uno e para buscar a intimidade no uno é preciso ser por demais complexa.
Existe uma diferença entre complexidade e complicação. Na etimologia, complexus, do latim, significa entrelaçado, emaranhado. Ou seja, na complexidade não existe um, mas vários que formariam o uno. A simplicidade é só o um. Só que é através do uno que se chega ao um e é a partir do um que se complica. Para a complicação é essencial a dificuldade. O complexo não é difícil, mas o simples, esse sim, é complicado. A complicação é uma espécie de vertigem que tenta alcançar o complexo, porque não entende que a complexidade está justamente no simples.
A partir dessa lógica tento chegar a simplicidade que só pode ser alcançada por meio da complexidade, no entanto, se a complexidade é simples, necessito temporariamente de complicar a vida para almejar a simplicidade. O desejo é ação.

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