sexta-feira, dezembro 04, 2015

aprendendo a viver em vários estados

Tenho aprendido a viver em vários estados de existência. Duas maneira me fascinaram de uma forma especial. Eu não sei se por conta da pós-modernidade estamos reconstruindo tudo, refazendo, repensando, etc. Sobre a dualidade que foi eternamente cristalizada em nossa psique, a dualidade entre corpo e alma e depois corpo e mente. Essa que foi de alguma forma retificada pela minha criação cristã. "O pecado do corpo" e tem também "o pecado da mente". O pecado do corpo é agir de acordo com a mente e o pecado da mente é pensar. A existência da mente, então,  já seria por si só um pecado.
Sob o mundo profano, passei a dar mais valor ao corpo, às sensações, ao prazer; mesmo que fossem mentiras. Nesse momento, nunca acreditei que fosse mentira - porque "tudo isso não passa de imaginação", segundo Bernardo Soares. A imaginação não é o contrário de verdade, o contrário de verdade é mentira. Sou sincera nas aparências. Sou muito vulnerável à filosofia.
O budismo parece uma saída. Só que de uma forma que é também doutrina. O budismo também acredita que o mal da mente é pensar. No entanto, a mente e corpo, eles são integridade e não dualidade. São o todo. "Viver é não pensar", ainda para Fernando Pessoa, e aonde foi parar Descartes? "Penso logo existo". Mas existir não significa viver, necessariamente...   É melhor não pensar e só sentir, diz a tradição de Sidarta.
Sentir é pensar - se somos integridade. É meio confusa essa lógica budista, às vezes fico me questionando sobre ela; apesar de ser a que mais faz sentido para mim.
O que eu queria dizer é que possível existir segundo as duas formas. É possível sim fazer uma dissociação clara entre corpo e mente - sem cair no maniqueísmo cristão -  e é possível, ainda, pensar na existência enquanto integridade. As duas maneiras de existir são legítimas e plausíveis. É necessário alternar essas maneiras de existências de acordo com as situações impostas e é isto que me encanta: o poder de escolha de como existir.  Não, não estou condicionado e nem acho uma única forma mais correta ou mais bonita de se viver, há momentos para cada.  É como o amor, é como o amor e o sexo.  A dualidade ou integridade da mente-corpo é exatamente a metáfora do amor e do sexo.

Nenhum comentário: