domingo, setembro 27, 2015

a culpa é da poesia

sem paciência para mazelas. ela o deixou naquela minúscula kitnet. Foi viver com outras cinco pessoas desconhecidas, em um apê um pouco maior.

quanto tempo foi necessário para descobrir que ele era apenas mais um babaca? "Ai, você não me entende, eu faço o possível" - disse em tom dramático. Eu continuei: "Faz o possível, porra. É fácil 'fazer o possível'. Quero o impossível. Saia dessas amarras". Ele tinha vergonha de mim.

Os encontros sempre parecem ser tão especiais. É mentira. Eles são tão banais quanto esse cara. A não idealização ou projeção do outro é a solução, dizem. Parece que quero ser afetada constantemente. Automutilação. Sabotagem. Já não cultivo o sentimento, ou a construção do amor na outra pessoa. Mas o encontro, dele ainda não consegui tirar todas as expectativas. A poesia é a culpada.

É bastante bom ficar dizendo " que nosso encontro é especial", vai nessa. É banal. É daí o poético, da banalidade. Entenda: às vezes é difícil identificar babacas, pois aparentam ser especiais. Focar nos banais, focar nos banais - aqueles que se assumem. Eu sou pura banalidade.

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