quinta-feira, julho 30, 2015

amor, algumas outras observações

O amor me inquieta desde o início e permanência deste blog. Talvez o título tenha vindo por conta dele. O primeiro post surgiu de uma premissa do que seria "amor", quando eu ainda tinha 15 anos. Nove anos escrevendo sobre amor,  tempo e experiência...
Tanto já se falou sobre esse tema. Quem sou eu para definir? Embora, goste de questionar conceitos. Percebi, entretanto, que estava fazendo um julgamento sobre o amor nos meus textos antigos. Tanto os literários quanto os mais ensaísticos - pressuponho que esta não seja boa conduta diante de sentimento tão nobre, ou simplesmente da palavra: amor. Quer dizer, não é fechada, tão pouco passível de julgamento. É apenas experimentação.

No fundo, meu coração - esse cálice de fluidos - remexe-se a cada pensamento de amor mal acabado. "Amores serão sempre amáveis", dizia Chico Buarque. Temo em perder esse sentimento. Não mais sofrer, porém lembrar-me com nostalgia. São amores livres de pathos. Permanência na latência, porém não concretizados, tão pouco sofredores. São amores.
No presente, o amor é visceral, cruel, nojento. Não deixa de ser menos amor. Tenho tentado entender esses amores passados. Acho que esta é a primeira vez em minha vida, que talvez possa dizer que não amo - claro que tenho amor pela família, amigos e amores passados - mas digo, no momento, não amo amor de eros. Nada me falta se não eu. 
Algumas anotações sobre as quais dissertar:

 Liberdade x penitência. Amor livre seria o medo do aprisionamento? Ou simplesmente negar a estabilidade. O aprisionamento, de alguma forma, é negação do apego pelo desejo. Em um dos meus textos sobre o tema disserto sobre a questão capitalista, a lógica de consumo rápido e o amor livre. Vejo agora de outra forma, não creio na impossibilidade desse tipo de relação por conta do sistema econômico. Tão pouco creio que seja "relação evoluída", mas só mais um tipo de relacionar-se. Como disse, sem julgamentos!

No budismo, aprendi sobre o "amor genuíno", o dar sem esperar nada em troca, o apenas querer bem - algo a ser desenvolvido com persistência que vai contra as nossas pulsões animalescas. Eu diria que "o amor genuíno" acontece quando se está preparado para perder sempre. Veja bem, não se perde sempre - mas apenas não se espera nada. Viver apenas no presente. Não esperar nada é tão difícil para o ser humano, eu me pergunto se "não esperar" seria humano.
O amor romântico é aquele ao qual tudo espera. Expectativas, idealizações - mas não deixa de ser amor. É amor. É! E é tão possível quanto o amor genuíno - construído a partir de uma sensação que existe biologicamente mas que dá margem a construção social.
Se um tipo de amor nega qualquer realidade de recompensa, o outro realiza recompensas inexistentes. De alguma forma há erro, há sofrimento, há dor. Ou a se negar pulsões, ou a se deixar levar pela imaginação. No amor, sempre há erro.

Dia desses li o filósofo Luc Ferry dissertando sobre amor. Dizia que a melhor coisa que o capitalismo fez foi trazer o casamento por amor e não mais por contrato econômico ou social. Tão frágil tornou-se o casamento a partir daí. Veja bem, não é uma crítica, mas um fato!
É louvável que vivamos a "revolução do amor", mas o que me inquieta é a cerne dessa revolução. Ao meu ver,  a revolução nega a política e se insere no amor. Luc Ferry também diz isso. " Ninguém morre pela pátria, mas por outrem". Afinal, morrem pelo amor ao próximo como ser-humano ou morrem pelo pathos, o amor de consumo, pelo prazer individual?  Que coisa mais feia acabar o texto com uma pergunta.

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