sábado, maio 02, 2015

Sobre sentir

Fechar-se em um mundo absurdo, fora do material. É belo. Transcende.
Quão verdadeiro? Não sei. Na inércia nunca se busca o equilíbrio. Entorpecentes são bem-vindos quando não necessários. Essa é a beleza: não precisar, mas também não negar. Você se fecha em labirintos como se a mente fosse feliz por si só. O ser humano não é só, ele é parte.
Conversei com tantas pessoas que nem sei mais quem sou. Dúvidas que já não me afligem. Queria poder contar mais histórias. Como esta de um rapaz que não falava sobre sentimentos, preferia sentí-los na calada da noite. Não era por medo, ou culpa, era por necessidade.

O silêncio, fiel escudeiro de Henrique. Longos cabelos dourados. Amava Beatriz. A moça não sabia. Ela fazia jogos sentimentais na esperança que ele demonstrasse afeto através da linguagem verbal. Ele não lhe diza "eu te amo" nunca. Quando a beijava, Bia sentia intimidade. No entanto, na conversa, ele jamais verbalizava. Bia era da palavra. Henrique era da sensação.

Sentir é ação individualista, tão mesquinha, tão pobre.

Henrique dizia que verbalizar era tirar o sentindo real das coisas - um minuto depois já se arrependia de ter formulado tal frase.  Se ele amou Bia, jamais saberemos.

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