domingo, junho 16, 2013

Deus lhe pague

Eu lhe disse:
- Acordamos - e agora? Despertamos para o completo caos. Sei nenhuma pauta específica. Todas elas juntas. Era a insatisfação clara de ter sido abusado por tantos anos. 

- Cale a boca, é festa - disse com um tom de desprezo. Sentei-me e refleti sobre aquilo de "festa". Talvez eu estivesse meio errado. Porém o sentimento de dissabor consumia os neurônios da minha cabeça. Era algo incrível, sabe? Impensável para alguém tão jovem que nem se quer pagou tanto imposto na vida. Eu poderia bem deixar a boca em trava e continuar a nossa vidinha, com nosso carro comercial, nosso aluguel classe média, o plano de saúde, coisa e tal, ir a shows no estádio. Só não dava. Agulha fica pulsando ali no  cortéx cerebral, onde residem os processos lógicos - aquilo tudo não fazia lógica nenhuma. Dinheiros e dinheiros sem destinação. Essa mulher sem qualquer cuidado comigo. Dava atenção a amantes estrangeiros, eles a cortejavam em dólar - eu lhe dava mais que dinheiro, lhe colocava num posto maior. Desatinou o fluxo de pensamento em mil e em outros rapazes do salão. Foi como um suspiro coletivo de motivações diversas. No fundo, aspiravam o mesmo, a metamorfose:

- É o fim.

- Não entendo, para mim está maravilhoso

- É o fim.

- Essa briga pelo o quê? Por tão pouco?

- Po tudo e mais.

-Não entendo, para mim está maravilhoso. Cale-se. Fique longe. Hoje é festa. Não é hora.

- É hora, é agora. É o começo.



Nenhum comentário: