segunda-feira, maio 27, 2013

Nem prosa nem poesia

Em um quarto duma parede roxa e outra caótica, roçávamos corpos alheios a nós. Sua barba azul em meu cabelo castanho empolavam a pele deixando-a sobre um efeito cor de rosa irritante. Sob gemidos gélidos errantes. Todo os barulhos permeavam as ruas das calçadas enquanto dava de costas para a janela. Seus olhos de lapela. Uma guitarra. Um violão. Em cobertas, encobertos que agora sentem o vazio. O luto duma paixão. Se eu tivesse ao menos o propósito. Te perfilava como depósito de caricaturas no meu coração. Músculo forte e ingrato. Eu lhe escrevia como um poema que no meu peito virou dilema sem solução. Te descreveria como um qualquer, em busca de carinho, de corpo de mulher. Carente e descrente dessa vida previsível. Um homem sem destinação. Tão pouco prosa ou poesia. Um cara que um dia foi alegria e hoje me sustenta a nostalgia em prisão.

Nenhum comentário: