segunda-feira, abril 29, 2013

Colecionadora

Valentina gostava de colecionar. Coleção das coisas mais inúteis existentes nesse mundo. Ponta de lápis. Tampa de garrafa de coca-cola. Caneta bic acabada. Pessoas amaldiçoadamente amadas.
Após disseca-las de desamor, valentia, Valentina. Esperava-se dormir. Dormindo, as almas saem dos corpos e vão passear pelas entrequadras - talvez se o metrô funcionasse dava para ir a Taguá. Enquanto os corpos dormem, a mente avalia se aquele é peça digna de colecionador.
Então piga venenos nos olhos que começam a escorrer lágrimas vermelhas. Nenhum gemido é ouvido. A não ser o da valentia de valentosa Valentina.
Com todas aquelas coisas, aqueles corpos, ou seja, ainda coisas. Possuídora de coisa nenhuma a não ser coisas e valentia, Valentina.

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