segunda-feira, outubro 08, 2012

Sonífero

As histórias se misturam num emaranhado de pontas soltas. Cada um é fio de linha que embola e enforca no pescoço, na guéla. Evoca uns sons ardidos. Sempre depois me dá uma vontade de chorar e é por causa das pessoas. Porque as coisas estão ai sem significado. Elas clamam por um contexto, por isso são o nada. Contexto muda. A gente muda todo tempo de ideia. Alguém a quem eu admirava escreveu uma dedicatória pra mim: "é preciso amar a existência das coisas", a última palavra é completamente coisa,e a coisificação ficou presa na dedicatória. A frase podia ter tanto amor se não fosse a parte da "coisa". Mas não era para ter amor, era para ter só carinho mesmo. Esse verbo que uso tanto, esse "ter" de não-coisa. As pessoas me deixam com uma bola na garganta e ela tenta passar pelo nariz e escorre pelos os olhos. É um espirro pela retina. Eu choro todo dia, desde criança. Sensibilidade dos infernos ou drama, vai saber. Se sorrir todo dia é normal, por que não chorar? É a bola que sai. Bola que fica dentro vira câncer, por isso tem gente que morre. Nunca vou morrer de câncer. Além disso, expulsar a bola faz dormir.

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