sábado, julho 07, 2012

O cachorro-quente

Beatriz foi ao cinema como de costume às quartas. E saiu de casa às dezenove horas e quarenta e três minutos, atrasada um minuto, pois costumava sair aos quarenta e um. Ao chegar na sala de projeção, um bonito rapaz ocupara a cadeira preferida de Beatriz, por conta de quatro segundos. Beatriz ficou pensando então que tudo era culpa daquela velhinha que começou a contar sobre vida no elevador de seu prédio e acabou atrasando o cinema dela. Mas o que poderia fazer? O filho da pobre começara a praticar dress-code.O padrasto, marido da velha, não sabendo da novidade, tascou-lhe um beijo na boca. O pior: o homem gostou e além de dress-code resolveu revelar a sexualidade, aos quarenta minutos e aos quarenta e cinco anos.
Enfim, Beatriz resolveu sentar do lado do seu lugar preferido. O rapaz, pelo menos, parecia moço de bom grado e até lhe ofereceu a coca. Beatriz, irritada, disse que não.

No meio do filme um cheiro de cachorro-quente subiu no ar. Estava ali, ao lado dela. Olhou para o lado e viu o close mais lindo da sua vida até então.Lá, o mais bonito de todos, o mocinho dos filmes. Mas o que estava incomodando mesmo era o cheiro de molho de tomate. Beatriz não gostava de sausichas, segundo ela, não há no mundo porcos suficientes para tanta sausicha, e decerto, há carne humana com molho de tomate dentro daquela gordura insana.

Acabou a sessão, ele puxou papo. Mas o cheiro de cachorro-quente perseguia. Até que Beatriz se deu conta que o cheiro vinha do moço. Sabemos que existem saucichas nos homens, mas Beatriz na sua loucura ou sensatez (vai saber)começou a imaginar sausichas por toda a parte do corpo dele. E enfim, pode imaginar os filhinhos dela com ele: uma porção de cachorro-quente. Ferôrmonios, nos salvem por favor!

Nenhum comentário: