sábado, julho 07, 2012

Imprevisto

Temo ter perdido a luta. Eu tentei de várias maneiras que ela soubesse. Eu lhe disse que não tinha jeito não. Que a resposta nunca havia de chegar. Comer e beber esperando a salvação não compensava.Seria desperdício mundano. Eu lhe disse que a vida era difícil até para quem tinha tudo, o tudo ainda não é resposta. Contei das desilusões, da dor e que os pífios cinco segundos de epifania não eram, tão pouco, motivo para a existência. "A vida é árdua" - lhe falei - "e com essa fraqueza, jamais suporta-te-á".Mais leituras, mais filmes, mais amores e mais perguntas seriam feitas. Ela que nunca conseguira ficar sem respostas. Ela que fora de sempre uma entrevistadora. Eu pequei. Esqueci que por trás das perguntas sempre há a curiosidade, mesmo que de observadora.Eu suprimi que estava diante de uma curiosa. E a cada imprevisto, ela se debruçava na janela com seus grandes olhos pretos pensativos. Decepcionada sem respostas, fascinada pela pergunta. Quando estava prestes a derrubá-la, eis que surge o imprevisto.

Um comentário:

Anônimo disse...

adoro imprevistos