segunda-feira, abril 16, 2012

Cômodo

Beatriz de tudo faz para ser feliz só. Acredita na vida a um. Nascemos um, vivemos vários, morremos um. Daí a maioria: um.
É preciso, no entanto, respeitar a vontade alheia, desde que somente que a vontade alheia não venha sobre a vontade de Beatriz.
Todavia, após alguns bons e poucos vinte anos, Beatriz percebe que viver em sociedade é mesmo se fuder. Pois o que mais existe nesse mundo é gente sem noção. Enquanto Beatriz faz o máximo para não incomodar os outros, os outros fazem o mínimo para não incomodar Beatriz: a maior maneira de mostrar que o ser humano só pensa em si.
Da primeira forma, Beatriz não incomoda ninguém - e espera não ser incomodada (o que nem sempre acontece, pois sabemos que existem o tipo "sem noção")
Da segunda forma, os outros incomodam Beatriz sabendo que dizer "não" é algo muito difícil para ela. Então, vamos conseguir coisas ao custod e Beatriz.
Vamos viver a custa dos outros. Vamos viver custando outros. Pois não ser incomodada nessa vida, é surrealismo, é para Dali, não daqui.

Nenhum comentário: