quarta-feira, novembro 16, 2011

há tempo

Beatriz estava de volta. Recém-chegada do inferno. Decidiu, ela fazer tudo às avessas. Refletira sobre a vida, os amores, as dores e o trabalho. Percebeu que a vida é mesmo assim: acontece; ficar pensando é besteira. Ficar pensando é necessário. Já que tudo isso não passa de uma transição para o fim, quem sabe para o recomeço?
Ela não tinha a mínima noção do que dissera ou fizera nos últimos 25 anos. Sua idade. Mas tinha certeza de que o certo estava entre os anos que ainda não viveu, assim como todos pensamos. O passado foi a coisa mais errada, o presente é chato, o futuro é certo.
A vida era toda poesia, pensava nada antes de falar. Se fosse prosa, teria feito conto. Mas era poema! Por isso vivia de dilemas e rimas fajutas.
Garatuja todo dia no caderno e um novo amor a cada semana. Um novo corpo a cada semana.
À cada homem, tornava-se mais mulher. Porém, menos Beatriz. Não entendia.
As suas ações iam contra o que Beatriz acreditava. Parou.
E decidiu, de novo: " Farei só o que transcende" - e foi atrás dos excessos, mesmo que fizessem mal à saúde. Quem se importa? Ela não, e era isso o que realmente importava.
Através das extremidades, puxava que nem menina no cabo de guerra e sem objeto direto que era pra tudo ficar mais emocionante. Puxava o que vinha na frente, sabe? Não importava o quê.
Foi ficando tão fraca. Não conseguiu sustentar nenhuma expectativa. Caiu na lama feito lutador de sumô. E pior : sem calcinha. Caiu da cama - Ah Beatriz, se eu fosse mulher como tu, a ti não comia.
E decidiu, de novo: "me entrego aos prazeres, mas primeiro eles tem de se entregar a mim. Cansei do velho sadô. Joguei meu chicote no lixo. Deixei pra lá as paixonites. Elas voltam daqui um mês. Nada é para sempre. O tédio é".

Nenhum comentário: