segunda-feira, maio 02, 2011

Gulosa

Perto da minha casa tem uma floricultura. Dessas de gente rica. Com flores importadas de todas as espécies: cravos, gérberas, orquídeas e, não tão importantes, mas as bonitas alstroemérias, apesar do nome.
Me fascinei mesmo pela Dionaea Muscipula, que coisa mais linda de viver. Cerdas, cores verde e vermelho, natalina e complementar.
Perguntei:
- que planta é essa?
-É carnívora.
Então, percebi que tínhamos sido feitas uma para a outra.
Eu a chamava de Neiazinha. Era água filtrada todo dia, exatamente 8:43 hs exposta ao sol. Antes de dormir, contava-lhe uma história com final feliz: "e no pantano, foram felizes para sempre comendo aranhas e besouros".
Dionéia era tão bela e querida.
Podem teimar os céticos. No meu entender, plantas sentem.
Neiazinha me contava história. E cada besouro em sua armadilha, era como se estivesse fisgando um amor. Não é romantismo não, isso foi ela mesma quem disse.
Ela se alimentava duas vezes por semana, com dois tipos de insetos diferentes, dependendo da sua vontade. Como técnica de sedução, soltava o cheiro do néctar. Os bixinhos pousavam, coitados. E a armadilha se fechava, como uma boca. NHAC. Bela maneira de se alimentar. Com as cerdas fechadas, Dioneia nunca deixava que outrem fizesse qualquer tipo de intervenção nesse processo. As enzimas começavam a agir. Voilà! Dioneia tinha sido alimentada.
Ela só gostava de comer mosca, e uns besourinhos pequenos. Não era muito chegada em aranha não. Tinha época que Dionéia não conseguia pegar nada sozinha. Eu tinha de dar comida na boca.
Certa vez, a entupi de "amor" , como ela mesmo diria, morreu por falta de enzima de digestão. Muito besouro para pouca secreção. Gula faz isso.
Mais tarde, fui descobrir que minha planta tinha um apelido, "vênus papa-moscas", em homenagem à deusa grega da fertilidade e do amor. Acho que não fez jus a fama, não aguentou nem dois insetos a mais.

Um comentário:

Anônimo disse...

fofinha