sexta-feira, maio 20, 2011

Gosto do condicional porque maltrata

Vivo dizendo que sou louca por masoquismo. E não deixo de praticá-lo nas mais variadas vertentes, inclusive na psicológica. Adoro pensar nas possibilidades, nos "ses" que não foram, que não vão ser. Machuca e exercita minha criatividade.

Se eu tivesse terminado aquele namoro antes, ou depois ou se não tivesse terminado. Eu seria exatamente a mulher que sou hoje? Seria menos Bárbara, mais Maria. Seria menos chata e vadia. Seria menos reclamona e mais feliz. Seria menos espontânea e mais rica. Seria menos engraçada e tarada. O importante é continuar sendo.
E se eu tivesse espirocado, largado tudo. Virado hippie. E se? Moraria na rua feito mendiga. Seria poeta arrependida. Seria maluca de bem com a vida. E se?
E se eu não tivesse gritado. Se tivesse me controlado. Guardasse nas entranhas a angústia em mim. Eu teria explodido, aí sim seria o fim.
E se eu não tivesse escrito aquele texto amargurado, quantos amores eu teria poupado. Quantas amizades não teriam sido desfeitas. Um futuro promissor me esperava.
E se eu tivesse me aproximado daquele cara. Eu viveria um romance policial. Eu estaria numa cilada. A cadeia me esperava. E se eu morresse amanhã? Todos chorariam. Todos riram.
Se eu morresse amanhã não sairia nem em primeira página de jornal, nem em obtuário. Se eu nascesse amanhã seria festa para pelo menos uns cem. Se eu morro, é tristeza para uns poucos.
E se eu tivesse preguiça de escrever? E se eu me importasse com quem vai ler? Eu seria mais uma neurótica.

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