sábado, maio 28, 2011

Só um jogo

Beatriz convivia com Ricardo desde os cinco anos. Ele sempre fora melhor no cabo de guerra, em matemática, história, português e no amor.

-Estou com ciúme
- Do que?
-De você
- De mim? Mas não lhe dei motivos para ter
- Por isso
- O que?
-Tenho ciúme da sua falta de ciúme
- Não confunda com inveja. Se vivo assim, é porque quero.
-Não é inveja. É ciúme. Você anda desfilando com a maior pompa a sua segurança. Ela é bem vista. Ela é bem dotada. Ela é mais amada do que eu por você.
- Como você é boba.
- E você é um babaca. Paspalho. Fanfarrão.
- E você uma Afrodite vestida de Medéia, que me faz agonizar em riso. É isso que você é. Sua linda
- Tenho inveja
- O que é agora, Beatriz?
-Tenho inveja dos seus xingamentos
E foram alguns anos de competição até que Ricardo percebeu que queria amor, enquanto Beatriz queria ganhar em tudo. Foi o fim. Beatriz não ficou triste. Levou como empate. Depois notou que estava mais para derrota. Chorou pela perda, mas não pelo amor.

Um comentário:

Marcelo Melo disse...

o que é demais nunca é o bastante, né?!!