sexta-feira, abril 01, 2011

Falta comida na África e a culpa é de Noé

É lamentável o modo como os deputados Jair Bolsonaro (PP – RJ) e Marco Feliciano (PSC-SP) têm emitido opiniões sem embasamento algum ultimamente.

Bolsonaro fez comentário racista ao dar entrevista à cantora Preta Gil no programa CQC. Segundo o deputado, os filhos nunca se envolveriam com uma mulher negra ou mesmo poderiam ser homossexuais, pois foram “muito bem educados”. A afirmação de Bolsonaro comprova que preconceito se aprende em casa. Ele ressaltou ainda que não gosta de discutir “promiscuidade”. Faltou apenas alguém ensinar ao parlamentar o significado verdadeiro da palavra antes de ser utilizada. É esse tipo de atitude que pode ser intitulada como promíscua, fora da realidade e ética do contexto atual.

Já o deputado e pastor Marco Feliciano, usa a bíblia para embasar sua teoria sem nexo. Feliciano postou no Twitter que os africanos, na verdade, são “descendentes de ancestrais amaldiçoados por Noé”. Para o deputado cristão, o paganismo é a causa de epidemias que afligem o continente, como ebola e AIDS. Sendo assim, podemos relevar a história de exploração colonial e miséria na África? O pastor teima em negar racismo, e diz: “está tudo na Bíblia, tem base teológica”. Como se o livro escrito há mais de um milênio fosse passível de uma única interpretação. Além de desrespeitar a liberdade religiosa, Feliciano diz não odiar os homossexuais, mas afirma que também não os aceita. O repúdio é a primeira ação antes do ódio.

Em um país como o Brasil, onde ainda é precário o acesso à informação e à educação de qualidade, esses são os parlamentares que nos representam. A mentalidade popular só muda quando mudam os representantes, quando se muda os líderes de opinião. Aqueles que, em tese, deveriam mostrar “bom exemplo”.

O preconceito é, muitas vezes, inevitável, mas também, desprezível. Será que só os políticos ainda não perceberam que algumas opiniões devem ser guardadas só e somente para eles? Ao que parece, preferem reforçar o preconceito e a falta de conhecimento. Assim, os ancestrais amaldiçoados por Noé sofrem, os homossexuais também, e nosso país “moralmente bem educado” pode continuar elegendo ótimos políticos.

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