sábado, abril 30, 2011

Dos dramas

O deleite de sofrer. Só quem é dramático sabe. Só quem não suporta o tédio compreende. Desfrutar das pequenas felicidades. Reclamar dos pequenos desastres como se fossem o fim.
E se apaixonar a cada final de semana. E fantasiar com viagens. E curtir a doença. E ler sobre o que não interessa. É isso aí. Viver dói. Nascer dói. Morrer dói. A dor é coisa boa.
Sem o drama eu não sou eu. Eu sou corpo sem alma.
Eu invento uns dramas para vida ficar assim, mais emocionante. Reclamo, mas gosto. O sofrimento me faz pensar. E sou meio louca e chata. Alguns suportam outros deram adeus antes de me matar. E sou ferida exposta.
Não me aguento também, então, veja só, que os que mandaram tchau não são os únicos. De sorte, eles não tem de viver no mesmo corpo que eu vivo. É uma cabeça confusa.
O engraçado é que por mais que eu escreva, nada sai. Nadinha do que eu quero. Muito difícil traduzir alma. Impossível?
E ainda há quem seja prepotente. Aqueles sobre quem sempre escrevo. Os amigos, os amores, a família. Já ofendi muita gente entre dramas e tragédias e sadismo e sarcasmo. Não foi por falta de aviso, senhores.
Na vida sou mais intensa que nos meus textos. Sou hipérbole de mim. Mistura constante de melancolia com felicidade. Quem escreveu o roteiro foi um mexicano, desses que escrevem novela para o SBT.
Não é questão de achar a vida ruim. É questão de pensá-la além do viver. É senti-la a cada ação. É sofrer por cada pé na bunda. Se deliciar como se cada pedacinho de chocolate ou gole de vinho fossem os últimos.
Então não me encham, deixem-me sofrer. A dor é boa.

2 comentários:

Fumico disse...

Por favor, sempre que quiser divida suas dores comigo, pq quando eu preciso dividir as minhas só com vc e com a gabi eu fico a vontade. Acho que seus dramas me enriquecem e fazem eu perceber a vida mais intensamente.

Obrigada pela amizade.

Bárbara Cabral disse...

além dos vários eu-liricos né carol?
pessoal acha que tudo ai é babi.