sábado, março 26, 2011

às traças

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Esguia, magricela e altiva.
Eu já fora na sua casa, comi do pão e do bolo. Ela disse que não se importava, desde que eu não falasse mal da comida . Acordo feito e eu bem alimentada.
Gostava tanto daquela menina. Um gostar diferente. Não era amizade, era admiração. O mistério dela me encantava. Os olhos que nunca paravam quietos. A discrição ao falar de certos assuntos. Deve ser por eu nunca conseguir fazer nenhum dos dois. Se olho pra algo ou alguém, fixo o olhar; e se falo, é para todos ouvirem. Aquele jeito, me facinava, e como.
Com o tempo, fui notando falta de afeição. E a amizade que sempre quis ter, virou passado.
Dessa vez, não comi nada na sua casa, mas abri a porta e não pedi licença.
A resposta foi a cara e o coração fechados.
Ser legal, às vezes, nem vale a pena.
E descobri que todo aquele mistério, aquele jeito diferente que eu admirava, não passava de insegurança. Nossa suposta "amizade" era desnutrida. Morria de fome. Mais magrinha que as pernas de Gabriela.

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