segunda-feira, fevereiro 21, 2011

Solteirice

[ a toda espécie humana, especialmente à samantha canovas]

Bem como toda juventude é bela, ser só é ser livre. E não venha dizer que é possível ser livre dentro de relacionamentos, porque simplesmente não é. Pensa-se cada vez mais no outro, e menos em você. Falar assim parece egoísmo. Quer coisa mais egoísta que a verdade?

Além daquele blablabla de solteirona feliz, existe mais nesse estado de espírito de ser só. Tipo de frescor inigualável: os solteiros têm tempo para namorar a si mesmos, já os comprometidos precisam se dividir para atender a namorada, o futebol, os amigos, o salão de beleza.

Sem apologias à solteirice. Namorar é bom, mas só quando se encontra o extraordinário. Se não acontece, é somente habitus. Sim, esse conceito que sociólogos, antropólogos e filósofos utilizam para explicar o espaço social, eu o utilizo também para explicar namoro.

O extraordinário, no entanto, é inexplicável. Acontece de modo diferente a cada ser humano, o extra para mim pode ser o ordinário da mariazinha. Cabe a cada um decidir, ou melhor, sentir.

"status: namorando", esse estado adquirido orienta nossa conduta, nossos sentimentos de forma desapercebida, porém, não de maneira irracional, daí o habitus. Às vezes vem acompanhado de amor, às vezes vem só ( o que acredito acontecer com a maioria. Sou da escola nelsoniana "se acabou, não era amor").

Digamos que você namore, encontre o seu namorado (a) todo dia, recebe ligações e etc. De repente, o fim.
Sabe por que se sente mal? Porque simplesmente cortaram uma refeição do seu dia sem nem ao menos te avisarem. É claro que vai se sentir fraco, seu estômago vai reclamar e sua cabeça vai doer. E como você aprendeu nas comédias românticas que a única cura é três litros de sorvete ou dois de vodca, vai se sentir pior ainda: seu corpo pensa diferente da sua cabeça que também pensa diferente do seu coração(obrigada por essa tecnologia de ponta, Deus). BLUM. Você explode. Vira lixo. Mas sabe qual é o pior? É que você sabe que tudo isso vai passar.

Pessoas são insubstituíveis. Sentimentos não. Hábitos não.

Parece meio autoajuda, mas as experiências nos fazem crescer, de verdade. O fato é saber tirar proveito delas, tão aí os terapeutas para não me deixarem mentir.

É preciso ser menos sentimental e mais sensível.

Crie um novo hábito. Necessitamos deles, afinal.

3 comentários:

Amanda Carvalho disse...

Muito bom o texto!!!! =) concordo em muitos aspectos! vou passar mais por aqui bjs amore.

Samantha Canovas disse...

Acho que é possível sim ser livre dentro de um relacionamento. Não que precise ser um relacionamento aberto nem nada do tipo, que isso não funciona 90% das vezes, precisa só ser saudável. E não foi Camões que disse que amar é "estar preso por vontade"? Se a vontade existe, então não é realmente uma prisão, a menos que não haja amor.
E deixar de ver uma pessoa não é coisa de costume, quer dizer, não é só isso. Tem muito mais envolvido nisso eu acho. Ou não. Sei lá. Agora que passou um bom tanto da dor, é bom ver o lado bom de estar solteira de novo. E é bom ficar por conta só da gente e de reafirmar independência, e não que eu acredite que seja impossível ser feliz sozinho, mas nem um homem é uma ilha. Tá, chega de citações por hoje. Beijos
;**

Bárbara Cabral disse...

cada um com suas opiniões...
não acredito na liberdade a dois, e não acho que isso seja algo ruim também...
amar e não ser completamente livre pode compensar.
amar é bom.. afinal.
Em relação ao habitus, a narradora deste texto acredita piamente no amor eterno. e se não foi eterno, tornou-se håbito. na real semântica da palavra. vc está certa, não é costume, é forma de viver, de ver.