sexta-feira, fevereiro 25, 2011

ser jornalista - estudante

ou seria ativista?

Entrei nesse curso de gaiato e às vezes me pergunto o que estou fazendo lá.

Depois de alguns meses de terapia, decidi: vou pagar pra ver qual é a desse jornalismo, o qual tanto amo e odeio.
Nesses últimos dois anos aprendi muita coisa sobre a profissão, a maior parte inutilidade, POR ENQUANTO.Sei que um dia essas besteiradas serão de grande serventia.

É engraçado, como esse tempo me transformou. Acho que quanto mais jovem somos, mais facilmente adquirimos características.Mesmo ainda não formados, boa parte do meu semestre na Faculdade de Comunicação, já desenvolveu o chamado ethos jornalístico. Como é bom fazer parte de um grupo, ter piadas internas e discutir o piso salarial da profissão.
Das coisas que aprendi com professores, doutores, grandes acadêmicos e também pessoas reconhecidas no mercado: sarcasmo.

O sarcasmo envolve o jornalista, penetra na sua essência. Eu já tentei me segurar: é difícil. Por mais que não queira, escapa da boca palavras ácidas, porém doces. Famoso mel com limão. Nenhum jornalista resiste ao sarcasmo bem-feito. O sarcasmo então é o palhaço interior do jornalista, aquele que faz piada com a condição humana,com a desgraça alheia ou com o traveco do Ronaldinho.
Aprendi também a diferenciar sentimentalidade de sensibilidade. E reluto em me tornar insensível, como muito dos profissionais fazem. Jornalismo é factual, mas se trata de pessoas, relações, e até sentimentos. Ser sensível é saber o que perguntar, é perceber quando banana quer dizer maçã.

Outras vezes, tive que acreditar na burrice do meu leitor, e explicar tudo tim tim por tim tim. Jornalismo também é professor. Preciso deixar de ser egoísta. Escrever para os outros e não somente para mim ( para isso existem os blogs), ou você acha que Clarice Lispector dava uma de introspectiva quando trabalhava em jornal?

Percebi que qualquer história ordinária pode se tornar interessante, e um bom jornalista sabe fazê-lo.
Enfim, aprendi que jornalista ganha pouco porque faz trabalho braçal. Esculpi dez vezes cada texto; carrega câmera; corre atrás de gente chata; leva patada e mesmo quando recebe a carta de alforria, volta pro seu sinhô. Ê jornalismo, que mistério tu tens para conquistar tantos pobres seguidores?

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