sexta-feira, outubro 22, 2010

Não atenderam

Bati na porta algumas vezes, não me atenderam.
Tentei exaustivamente na segunda, na terça, na quarta. De repente, na quinta, perguntaram-me: "Quem é?".
Disse que meu nome era Bárbara e, como de costume, contei minha vida inteira. Ri e chorei. A porta, no entanto, permanecia fechada.
Dormi no tapete em frente a entrada, ele dizia "Welcome". As atitudes diziam xo xo.
Assim como um sorriso diz seja bem-vindo, a falta de assunto diz bye bye.
Enfim, abriram uma frecha. Alguém balbuciou baixinho, tão baixo que não pude entender nadica. Fiquei feliz, era pelo menos uma tentativa de comunicação. Um som abafado e confuso, mas que alguma coisa pretendia.
Passei a ir todos os dias a essa casa. Falava, falava, falava. Do interlocutor, pouco sabia. O mistério me atrai, excentricidades também.
O diferente causa fascínio, afirmou Laplantine certa vez. Nietzsche disse que o estranho é perturbador, e que precisamos conhecê-lo para tornar-se familiar. Encaixo-me bem nas duas teorias.
Encaixo-me mais ainda na teoria "enchi o saco". A porta nunca abriu.
Desisti das pessoas fechadas, pelo menos essas que são fechadas ao extremo.
Sou aberta no bom sentido. E não acho que isso seja bom ou ruim, é uma característica. Existem pessoas tímidas, pessoas reservadas. Mas todo e qualquer exagero faz mal.
Morremos então por estar sempre exagerando.
Deixa eu entrar!



Não precisa abrir essa porta não

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