sábado, outubro 30, 2010

200 miliampères

Ela tinha mania de se apaixonar.
Não passava dois dias sem namorado, ou ficante, ou rolo, ou encanador.
Paixão para ela era como corrente elétrica: passava sem aviso prévio. Tudo se excitava. Moléculas pra cá, elétrons pra lá. O sangue corria na mesma velocidade.
A mãe dizia que um dia ela iria se ferrar. Volúpia não é coisa de Deus, segundo Dona Maria do Rosário.
Luxúria é coisa de moça que gosta de viver, segundo Ela.
Um dia, Ela acordou sem nenhuma vontade. Ela não tinha ninguém por quem se apaixonar. Saiu para procurar, voltou frustrada. Não achara nenhum mísero rapaz.
Pobre d'Ela.
Um entregador bateu à sua porta. "Um bouquet de flores, explêndido!" - exclamou Ela.
Era uma menina moça e dizia bouquet com o seu francês vulgar, mas acrediatava piamente na pronúncia.
Foi tomar banho. O corpo exalava sexualidade.
Péssima mania de se apaixonar. Mudou a opção do chuveiro elétrico de inverno para verão. Péssima mania de tomar banho descalça.
Morreu eletrocutada, a coitada
Diagnóstico: corrente elétrica de paixão.

3 comentários:

A Bertolucci disse...

Adorei!

Anônimo disse...

huuuum, corpo transbordando de tesão o seu, heeein!
raaaawr

Bárbara Cabral disse...

se vc acha.. obrigada.
mas eu nao sou Ela, só pra deixar claro