quarta-feira, junho 16, 2010

Conceituação: conceito, preconceito e discriminação.



Esse tema é por vezes discutido de maneira tão chata que todo mundo prefere ficar calado, ou concordar com tudo. No entanto, é possível debater tal assunto sem ser estereotipado de "politicamente correto".
Falo sobre isso porque odeio do fundo do meu coração essas pessoas que não têm argumentos e vão na onda das modinhas achando que estão cumprindo seus deveres de cidadãos, isso se resume a uma palavra: hipocrisia. BANDO DE HIPÓCRITA. Só não adiciono mais adjetivos porque sou de classe, tenho sofisticação e não falo palavrões.

A dicotomia
Voltando, o que é preconceito? Peguei meu dicionário, aí vai: Preconceito: sm Conceito antecipado; opinião formada sem reflexão; Ok, o que nós já sabíamos.
Usamos o termo preconceito nessas ocasiões onde realmente há um pré-conceito, um conceito estabelecido anteriormente ao conhecimento de uma dada circunstância, mas essa palavra tem um outro significado no senso comum: a discriminação.
A discriminação e o preconceito andam juntos diversas vezes. Porém, a discriminação , normalmente, inclui a ideia de algo "ruim", que desperta recusa. Já o preconceito não traz necessariamente algo "ruim", mas uma ideia pre-concebida, essa ideia pode corresponder a realidade ou não.
Desfeitas as confusões entre preconceito e discriminação, podemos dissertar melhor sobre o assunto.

Qual é o problema de ser preconceituoso?
Está mentindo quem diz que não possui preconceito. Nós, seres humanos, pensamos no futuro, no estranho e criamos como consequência significados para tudo o que foi pensado. Mas por que isso é ruim? Isso faz parte da nossa faculdade linguistica, da possibilidade de criarmos significados até mesmo para o desconhecido, essa necessidade do cérebro os linguistas podem explicar melhor do que eu.
É ruim no sentindo de que quando definimos um conceito em nossas cabeças,além de levarmos em conta apenas um ponto de vista, estamos sujeitos a afirmar erroneamente esse ponto. Como falar corretamente sobre algo que se desconhece? Como eu disse, é possível que o preconceito corresponda a realidade, mas as chances são bem menores.




Primeiro passo
Um bom começo para aprender a lidar com o preconceito é admitir que se é preconceituoso. Referindo-se ao começo do parágrafo, não adianta bancar o "politicamente correto", ser preconceituoso é característica intrínseca ao ser humano.
Admitir é o primeiro passo, o segundo é começar a refletir sobre esse preconceito: por que eu penso dessa maneira? O que faz eu ter esse tipo de pensamento e não outro? A partir de questionamentos, fica fácil saber o que mais te influencia e como se livrar, ou não ( se forem benéficas) dessas influências. Permito-me corrigir a última frase, ninguém consegue "se livrar" totalmente das influencias do ambiente ou relacionadas ao convívio social, mas pode-se produzir uma visão mais "imparcial", pelo menos tentar, o importante é refletir e não apenas seguir determinado grupo por acomodação.

Discriminação
A discriminação é normal! Lendo textos antigos, revistas, novelas,romances, percebo o quanto somos discriminados e o quanto discriminamos desde os tempos mais remotos.
Os termos antropológicos de Laplantine, a "Repulsa" e o "Fascínio" pelo o estranho são vivenciados diariamente por todos nós. A discriminação não é mais do que a separação, a distinção dentro dos grupos sociais ocasionada pelas diferenças.
A diferença causa estranhamento em quem a observa, o observador pode amar o "diferente" ou simplesmente detestá-lo, mas em ambos os casos há distanciamento. Aquele individuo que é diferente não pode ser incluído no grupo.
O contexto aí é desconsiderado, nós e todo nosso egocentrismo queremos nos enxergar nos outros e determiná-los, definí-los pelas suas ações.
"Ah, ele vai em show de axé? Então deve ser peão" - frase que eu sempre digo.
Essa frase está cheia de discriminação e preconceito. Por perceber que algumas pessoas do grupo dos "axezeiros" são um tanto atirados, me refiro a eles como "peões". Mas por que peões? Exatamente porque também possuo uma ideia generalizada e preconceituosa sobre os peões, já que não conheço nenhum peão de verdade.
No entanto, levar tudo isso a sério me renderia o título de a "boa moça que pensa muito antes de falar", o que eu não sou. Esse foi um caso hiperbólico para ilustrar o que eu estou tentando dizer com o meu texto.




Autodiscriminação/ Autopreconceito
Isso existe? Existe!
Até mesmo para se incluir dentro do grupo, os designados diferentes começam a ter atitudes preconceituosas e discriminatórias.
Porém, quero levantar o outro lado da moeda: Existe preconceito ou discriminação quando a "vítima", na teoria, não se sente constrangida ou atingida?
Claro, isso não é desculpa. Pode sim haver distinção e uma ideia pre-concebida mesmo quando a vitima não se sente prejudicada, ok.
Mas quando as PRÓPRIAS pessoas se chamam de "viado", "nenguinho" ou "minha nega"?
Se eu tenho uma namorada e a chamo de pretinha, e se alguém na rua ouvir posso ser denunciado como racista?
Se me auto-intitular como viado, posso processar a mim mesmo?
Aí a gente passa a ver a decontextualização, a falta de coerência... e o próprio preconceito. Por que "minha preta" ou "ei viadinho" têm um cunho pejorativo? Depende do contexto, não? Bom, essas questões são temas polêmicos e que sempre darão trabalho aos juízes


Egocentrismo #fail
Parar de generalizar e achar que o nosso ponto de vista é o certo, começar a ter outras interpretações. Acredite, você começa a perceber outro mundo quando as reflexões vão além do seu umbigo.
MAS NÃO VIRE UM POLITICAMENTE CORRETO!

3 comentários:

eu disse...

;)

Anônimo disse...

Meus parabéns Barbara,exelente reflexão.Ouso dizer que o preconceito,discordando um pouco de vc,é sim muitas vezes e não poucas vezes util,dependendo do QI do camarada.O que não se pode fazer é tirar uma conclusão do preconceito,afinal é um "pre-conceito" e não um conceito.Mas é util,e eu ao usar o preconceito geralmente me dou bem e sempre que chego perto para formar então um conceito percebo que o preconceito estava nada mais do que certo,era o que eu imaginava.O crime na minha humilde concepção consiste apenas em tirar uma conclusão final do preconceito.Este sim é o crime.Mas ter um preconceito e raciocinar logicamente e imaginar o que pode ser o outro individuo.Eu disse pode ser.E isso é bom.É necessario.E é sinal de percepção.
Sou preconceituoso com muito orgulho,pois faço uso dele de forma correta.Vlw,Bjs,tu é uma gata e a principio parece bem inteligente. ;) Aqui é o Augusto,esqueci minha maldita senha google e também n estou impressionantemente conseguindo entrar na minha propria caixa de email do hotmail por error do msn.

Bárbara Cabral disse...

valeu pelo comentário Augusto.
Adoro quando pessoas diferentes me visitam aqui, volte sempre!