quinta-feira, fevereiro 23, 2017

Distração como solução para insegurança: uma obviedade!

Sempre distraída - e no processo errôneo da auto-análise, percebo: tal característica não passa do resultado da minha timidez absoluta. Sempre uma vergonha de não ser eu mesma e uma agonia por nunca conseguir sê-lo. É, então, mais interessante derrubar copos, esquecer pertences, quebrar coisas..
A inconstância das coisas é, para mim, o maior dos problemas: a mudança é sempre o permanente.

A angústia do gerúndio que nem existe em todos os idiomas... A pretensão de ser. O estado infinito do universo. Tudo isso me admira e me comove.

domingo, fevereiro 12, 2017

Incompetente

o fardo de se sentir capaz e não sê-lo. qual o motivo do paradoxo? Se agir é mais fácil do que pensar...
Só me resta o masoquismo da inação. O mundo anda agitado.

segunda-feira, janeiro 16, 2017

teoremas

se vivo pleno,
desisto!

o que apetece
a espera

o que sobra
no dia

o que denomina
o amor.



segunda-feira, dezembro 19, 2016

narratologias

vislumbre,
a frequência que apetece
o coração apaixonado

translúcido,
chega o corpo
com o reflexo irradiado

ficção,
as histórias tomam
conta do estado.

como é bom narrar
um amor recém
começado.





engodo

sempre me dói muito fazer um poema:

é masoquismo,
pois exige um pensamento analítico
que a própria poesia estorna.

um estado elíptico
que me incomoda
a qualquer hora.

mas "para quê poetas"?
se a ideia do sofrimento
é senão romantismo

profetas!

a alegria,
é, então,
um risco.


segunda-feira, novembro 28, 2016

A neurose lhe cai bem.


a poesia que não chega
o amor que não desce

a imagem que sobra
o pensamento que desvanece

a agonia que a assombra
o horror que permanece.

domingo, novembro 06, 2016

Ser insignificante

compreender os contextos de quem lhe magoou é tarefa muito difícil, quiçá impossível.
dentro das percepções feministas, ainda sim, tento não personalizar comportamentos - já que  o indivíduo seria senão vítima, tão quanto eu,  preso a esta linguagem falocêntrica - mas me questiono sobre a inerência do sentir. Sempre!
Estou presa na interzona entre a ontologia e a genealogia e vago hora numa, hora noutra.
Hoje, especialmente, não consegui liberta-me do meu ego e me senti tão magoada quanto insignificante.
Sem mais justificativas,  gostaria de culpar o afeto. Pois ele sim é o culpado. Porque na longa discussão entre afeto e apego aparece a indiferença - e esta dói muito - é ela que propõe o que seria o insignificante.

No entanto, logo me compadeço, ao lembrar das formigas, ninguém as nota - são o insignificante. Mas para mim, jamais. São o inverso não do significante, mas em si mesmas..

O olhar já não é minha sina.

quarta-feira, novembro 02, 2016

o segundo flerte

a missão
nunca será,
efetivamente,
solucionada.

o projeto
diz mais
do que
a pessoa amada.

inquietação,
estratagema,
labirinto,
que pena!

terça-feira, novembro 01, 2016

a tragédia

enquanto ao trágico,
vos digo:

importa o risco
a tragédia vem
do imprevisto.

azar
sorte
acaso:

O enigma!


Só é desfeito
através
do inacabado.

mas como ficar a espera do inesperado?

por que cinema?

o que me atormenta é uma pulsão erótica - que dadas as categorias estabelecidas no atual período - poderia ser classificada como masculina. Uma vontade de conquista e abandono (do tédio). Uma tendência ao risco e falta de senso.
Retorno aos pensamento libidinais, é o paradoxo querer racionalizar as sensações - é o meu maior impulso: e então o tempo, e então o movimento.

quarta-feira, outubro 12, 2016

uma balada leminskiana

o meu lado baladeiro
que outrora
me parecia uma saída
para o tédio existencial,
agora,
reluta aos caminhos comuns dessa vida banal.

é que a solteirice exige:
balada!

mas em cada uma delas sobra:
uma ressaca,
um arrependimento,
uma cantada bosta,
um vazio,
um tormento.

e a euforia
que parecia ser,
na pista,
arbitrária,
de repente,
surge
em ímpetos de epifania
solitária.

sexta-feira, setembro 16, 2016

três escalas

o prazer de ser outros
seria indício de psicopatia?

a metamorfose dos rostos,
incansável rebeldia.

a angústia do instável,
simultaneamente,
o gosto pelo desconhecido

sendo de desimportância o retratável,
e da maior importância qualquer coisa
sem sentido.



a rejeição

o mergulho,
a profundidade,
a morte,
o desespero.

o desencaixe,
o conflito,
a trama.

A competição entorno do conhecimento

Tomar o risco é se liberar do ego, pois o medo é o processo óbvio da autodefesa. Atirar-se no abismo da incerteza, ou pior, do julgamento alheio e ao passo que a dor do desprendimento é entendida como prazer - todo esse processo, exige grande maturidade. Maturidade possível somente nas crianças que não tem apego à imagem.

apropriada

Viver de acordo com o discurso que se pronuncia: essa seria a meta de vida para além do amor e da felicidade. Viver intensamente o que se pronuncia. Presenciar a experiência de acordo com a palavra dita.
O impulso quando racionalizado nada mais é do que sentimento. Já a plena consciência das consequências dos atos é o que faz o indivíduo não somente racional, mas impetuoso e sensível.

Coragem!

sexta-feira, julho 15, 2016

sinestesias

É a vontade do mergulho que agonia os sensíveis, ficar sem ar: o masoquismo de cada dia.  Eterno retorno. Querem preencher a todos, enquanto se esvaziam. Se fosse caridade, nem falariam sobre. Talvez, seja desespero. Preencher os espaços com o sensível dá grande trabalho. Eles são ditos como loucos, melancólicos, eufóricos - bem assim nessa ordem. Odeiam os cheiros de azuis. Amam o calor da música e sobriedade das notas.
Ninguém é melhor por ser sensível, aliás, só se é pior por ser sensível.

quarta-feira, julho 13, 2016

queda que não cessa

O peso oscilante que assombra intermináveis noites de procura/ N'outro dia, o amanhecer desperto, tenro, bonito se faz em ruptura/ O peso, desta vez, iluminado/ O peso iluminado ainda assim assombra / Quero cair mais que posso / Nunca a chegar à leveza, só superfície/ O peso é menos denso que o superficial/ O peso é matéria gravitacional.

domingo, julho 10, 2016

simultâneos


1. beatriz

diante dos últimos acontecimentos, a dúvida que permanecia na cabeça de beatriz era: "do que preciso?" Sentou-se de novo naquele boteco velho que tem frequentado nos últimos trezentos e vinte e cinco meses de sua vida. Fumou um charuto cubano. Foi paquerada por velhos. O garçom não foi com a cara dela. Falou sozinha: "Eu prezo pela sinceridade, mas sou apaixonada por mentiras. É que o amor é cego e eu uma babaca." Deu-se conta que o pensamento extrapolou pela boca. Riu. Acenou aos outros."Eu sou um clichê" - completou.


2. ricardo

no bar,  ricardo esperava os amigos. era época de luto: mais um relacionamento amoroso se findava. deu o azar de chegar primeiro, logo ele, o dono da perda. O garçom não foi com a cara de ricardo. Caíram folhas dentro do copo de cerveja. Ricardo olhava estranhamente para a moça ao lado: "Sempre tem alguém pior que a gente", pensou.


3. josé carlos

o velho na mesa do lado de fora do bar se chamava José Carlos. Este já não esperava por ninguém. O garçom foi com a cara dele. Zé bebeu dezesseis cervejas. Olhava bêbado para as mulheres tentando decifra-las. O objetivo era saber o nome de cada uma. Mirava numa, lhe dizia o nome que lhe caberia. Mirava noutra, lhe dizia a comida preferida. "Maria Clara, macarronada". "Fernanda, mel com gengibre". "Beatriz, risoto de beterraba com queijo de cabra."

4. garçom

"sempre tem alguém pior que a gente" - disse.

sexta-feira, julho 08, 2016

imprevisibilidades

hoje me aconteceu algo imprevisível.
uma, duas, três, quatros horas de conversa interessante,
frases sem vírgulas intermináveis faziam todo o sentido,
discursos homéricos instigantes,
cerveja doce,
filmes cults que eu entendi,
pessoas bonitas que amei,
brasília cheia na madrugada,
balão branco numa rua deserta,
lua com o sorriso do gato de alice.
imprevisibilidades me apetecem tanto que jogaria pro lado os planos de anos só para me surpreender com a lua minguante quando achei que era semana de lua cheia.

o primeiro flerte

As consequências da noite passada antecipam um outro presente. Pensar o arrependimento não é já estar em outra realidade?
O cansaço matinal,
a perda de memória recente,
a falseabilidade do sentir.

Em eterna performance, o prazer se realiza nos jogos das linguagens.

A palavra é senão mentira.

segunda-feira, maio 30, 2016

preguiça



para onde foi a necessidade de poesia? massacrada pelo passar das horas, esses dias. Um estorvo que se instala na coluna vertebral. No Brasil, chamamos de preguiça. Poeticamente, melancolia.
Impotência diante dos sentimentos alheios.
A culpa vem do apego à nossa imagem.

domingo, abril 03, 2016

domingo

[ para isabella]


Da espera,
um susto

coragem veio
enfim, um desfecho
medo
zelo

os fins nunca realmente são
parecem ser

desespero!

sábado, março 26, 2016

sem título

Parar de querer que te queiram
Do querer de amor.
Pensar sentimento é burrice,
Insignificante.
Quem pensa o insignificante?
Sentido-pensamento,
Que proeza!